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Enganos...

Sabe esses esbarrões típicos de filmes românticos? Foi um desses, talvez um pouco mais real. Pensei em continuar andando sem ao menos me desculpar, mas, olhei e era ela. Justamente ela! Os mesmos cabelos negros e longos, o mesmo olhar enigmático escondido por trás dos óculos, como nos tempos de criança. Era a minha Marília, sem as fitas coloridas no cabelo e as meias três quarto. Pensei em ir embora e deixar as lembranças pra trás, não seria bom lembrar de tudo que me fizera, de como me abandonara. Mas talvez seria pior deixar passar despercebido este encontro inusitado.
Durante o pouco tempo em que ficamos juntos, nosso diálogo não passou de trocas secas de monossílabos. Seu rosto dizia menos que seus lábios e finalmente despediu-se. Pedi seu telefone e ela deu, meio relutante. Com a mesma frieza e o mesmo olhar enigmático de quando nos esbarramos, Marília virou as costas e foi embora. Sem nem ao menos olhar pra trás. Decidi então, aguardar alguns dias e ligar para sua casa, quem sabe quisesse sair comigo. Onde eu estava com a cabeça? Marília jamais sairia comigo depois de tudo que acontecera entre nós. Mesmo assim resolvi tentar.
Com o coração na mão peguei o telefone. Os poucos segundos que ficou chamando na outra linha pareceram eternos. Sua tia atendeu ao telefone e pedi para falar com Marília. – Minha sobrinha faleceu há três anos – disse tristemente a tia. Como havia morrido? Estive com ela há alguns dias. Como insisti na história, ela me falou onde a sobrinha estava enterrada. Inconformado, fui até o cemitério. No túmulo já danificado pelo tempo havia seu nome escrito na lápide brilhante e um retrato ao lado.Os mesmos olhos, o mesmo sorriso, as mesmas fitas coloridas no cabelo. A mesma Marília.

*          *          *

O despertador tocou repentinamente e acordei assustado. Olhei para o relógio que indicava seis horas da manhã. Fui enganado novamente. Marília enganou-me na infância, na juventude, quando foi embora sem dizer adeus e agora em sonhos. Marília me engana, mas é minha, e não de Dirceu como dizem os poemas. Talvez seja esse o meu maior engano.



Escrito por Carla Cabral e Silva às 20h47
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