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* * Apenas pensando alto * * | |||
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Mil pedaços Eu iria continuar a série "As palavras que fazem falta..." mas descobri que palavras são apenas palavras quando não há ação. Portanto, resolvi mudar o tema. Vou contar um caso que deixou-me impressionada essa semana. Seu nome é Diego, 17 anos, aparelhos nos dentes e cara de moleque. Aparentemente um garoto normal de classe média. Seria isso se não fosse o vício pelo computador e o desejo de ser um hacker. Você pode me dizer agora "É comum garotos nessa idade que sejam viciados em computador e queiram ser hackers". Seria comum se não tivesse um pai que o repreende e diz todos os dias que não serve para nada. Aí viria novamente a indagação "Qual é a novidade? Isso é normal". Seria normal se não quisesse morrer, porque acredita que a morte representa sua liberdade. E deseja isso quando acorda, durante o dia e quando vai dormir. O tempo todo. Se não tivesse cortado seus pulsos com 16 anos. Se não achasse que amor não existe, que nunca irá sentí-lo. Aí você me diz "Carla, existem várias pessoas que pensam assim..." Todas essas situações seriam normais se não acontecessem com uma pessoa só, de uma só vez. Diego, 17 anos, na frente do computador se considera uma lenda. Quando aperta o botão para desligá-lo é apenas o Diego, rejeitado há 17 anos. Queria fazer faculdade em outra cidade. Queria casar com a menina que amava. Hoje, não tem sonhos, nem objetivos, nem ideais. Apenas quer que toque em seu enterro a música "Mil pedaços" do Legião Urbana. Porque hoje está em mil pedaços. E não sabe mais qual deles é. Escrito por Carla Cabral e Silva às 00h23 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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