* * Apenas pensando alto * *
   
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Caçar pauta também é pauta?

 Escrever, muitas vezes, é uma missão árdua para os chamados formadores de opinião. Na lousa branca, a esperada frase “produzam uma matéria” irrita e contraria os futuros jornalistas. Contraditoriamente, os alunos do sexto período de jornalismo entreolham-se desestimulados com a tarefa. Sob uma visão mais romântica, nem parece que escolheram como ganha pão escrever, escrever e escrever para o resto de suas vidas. A parte mais difícil ainda está por vir: decidir a pauta. Sobre o que vou escrever? Como saber o que interessa ao leitor? Todos os assuntos parecem já ter sido explorados por alguém e o medo de cair na mesmice e repetição apavora. A dúvida impulsiona alguns a procurar o novo, o inusitado. A tarefa de olhar as mesmas coisas de um ângulo diferente é um desafio para os que querem encontrar o esconderijo das particularidades.

Cinco alunos estão no pátio e pensam na possibilidade de fundar o Sindicato dos Sem Pauta. Aos mais acomodados, vale procurar alguma matéria já produzida em outra disciplina, fazer alguns ajustes e adaptá-la. Aos mais audaciosos o que conta é encontrar algo peculiar na instituição, que ainda não foi abordado. Fulano sugere:

      Vou para a sala ver se encontro uma matéria já feita que dê para utilizar.

      Eu prefiro dar uma olhada por aí, deve ter algo de interessante – discorda Sicrano.

As idéias vão surgindo a partir das situações mais absurdas: subir na torre da igreja e ver o universo acadêmico de outra forma, com os olhos de quem quer chegar perto de Deus. Estar dentro da torre que, muitas vezes, só é notada pelos estudantes quando procuram ansiosamente o relógio. A porta de acesso está trancada e impossibilita a entrada. Quem sabe subir no teto... Não o da igreja, que é muito alto. O telhado da faculdade já está de bom tamanho. Jornalista que é jornalista também pode fazer esse tipo de loucura. A escada que dá caminho ao telhado fica próxima à sala de apoio aos pais e estudantes do ensino médio. O empenho é grande, já que o acesso é proibido e difícil. A missão é impedida pelo medo de infringir as regras da instituição.

De repente, visitar algo de diferente, como a sala de Anatomia. No entanto, nada de fenomenal. Apenas alguns bonecos, fetos, crânios e objetos que indicam as partes do corpo. Nada que renda uma matéria, no mínimo, satisfatória. A busca continua. Desta vez os orelhões não escaparam. Haveria alguma relação entre os números de cada um deles? São quatro aparelhos no Ielusc. A somatória dos números aparentemente não tem relação alguma: 19, 21, 28 e 30 e mais uma idéia vai por água abaixo. O estacionamento também poderia ser tema de alguma matéria, já que é um assunto polêmico, mas que já foi abordado várias vezes no jornais-laboratório. Poderia ainda existir uma relação entre a placa dos carros ou então, no modo como estão estacionados? O trabalho demandaria muito tempo para se chegar a alguma conclusão.

No bloco A existem 24 janelas. Mesmo número de pilares na frente da faculdade.

      Acho que é só coincidência – afirma o porteiro Neri Pereira, 46 anos.

      Eu acredito que não exista relação, mas quem sabe? - questiona o estudante Juliano Nunes, 21 anos.

Será que existe alguma relação entre as coisas? Isso pode ser verdade ou não, no entanto, tudo possui suas especificidades e pode ser o gancho para uma boa pauta, desde que o jornalista consiga identificar o que há de incomum em cada uma dessas situações.



Escrito por Carla Cabral e Silva às 09h21
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Enganos...

Sabe esses esbarrões típicos de filmes românticos? Foi um desses, talvez um pouco mais real. Pensei em continuar andando sem ao menos me desculpar, mas, olhei e era ela. Justamente ela! Os mesmos cabelos negros e longos, o mesmo olhar enigmático escondido por trás dos óculos, como nos tempos de criança. Era a minha Marília, sem as fitas coloridas no cabelo e as meias três quarto. Pensei em ir embora e deixar as lembranças pra trás, não seria bom lembrar de tudo que me fizera, de como me abandonara. Mas talvez seria pior deixar passar despercebido este encontro inusitado.
Durante o pouco tempo em que ficamos juntos, nosso diálogo não passou de trocas secas de monossílabos. Seu rosto dizia menos que seus lábios e finalmente despediu-se. Pedi seu telefone e ela deu, meio relutante. Com a mesma frieza e o mesmo olhar enigmático de quando nos esbarramos, Marília virou as costas e foi embora. Sem nem ao menos olhar pra trás. Decidi então, aguardar alguns dias e ligar para sua casa, quem sabe quisesse sair comigo. Onde eu estava com a cabeça? Marília jamais sairia comigo depois de tudo que acontecera entre nós. Mesmo assim resolvi tentar.
Com o coração na mão peguei o telefone. Os poucos segundos que ficou chamando na outra linha pareceram eternos. Sua tia atendeu ao telefone e pedi para falar com Marília. – Minha sobrinha faleceu há três anos – disse tristemente a tia. Como havia morrido? Estive com ela há alguns dias. Como insisti na história, ela me falou onde a sobrinha estava enterrada. Inconformado, fui até o cemitério. No túmulo já danificado pelo tempo havia seu nome escrito na lápide brilhante e um retrato ao lado.Os mesmos olhos, o mesmo sorriso, as mesmas fitas coloridas no cabelo. A mesma Marília.

*          *          *

O despertador tocou repentinamente e acordei assustado. Olhei para o relógio que indicava seis horas da manhã. Fui enganado novamente. Marília enganou-me na infância, na juventude, quando foi embora sem dizer adeus e agora em sonhos. Marília me engana, mas é minha, e não de Dirceu como dizem os poemas. Talvez seja esse o meu maior engano.



Escrito por Carla Cabral e Silva às 20h47
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Carta de amor

Queria escrever algo legal para você, algo profundo, algo que resumisse todo o meu sentimento. Algo que quebrasse essa imagem de grossa que às vezes causo. Queria escrever algo para que você sempre lembrasse de mim... uma palavra mágica, uma palavra-chave. Poderia ser pequena, mas carregada de amor, de carinho. Queria dizer algo que combinasse com você, algo sutil, sincero, cheio de vida. Queria que você lesse e se sentisse feliz. Algo que te completasse e tornasse seu dia mais iluminado. Sabe quando você olha para mim e sorri? É claro que você não sabe. Porque não se vê. Seus olhos brilham e todo seu rosto ri junto. É lindo. Dá vontade de prender essa expressão numa caixinha e guardar. Cada vez que eu estivesse triste era só abrir e olhar. É mais ou menos isso que eu queria: traduzir seu rosto em palavras. Impossível. Minhas mãos estão geladas. Muito geladas. Não me importo de estar aqui com frio escrevendo para você. Você me faz bem. Você me aquece mesmo não estando por perto. Como é mal educado o amor... Vem e nem pede licença. Não quer saber se o coração está ocupado ou não. Entra e se instala. Vai tomando conta do seu pensamento, depois de todo o seu corpo, e depois de suas ações. Quando você vê já está envolvido. Por inteiro. Assim como estou agora. Tenho medo que da mesma forma como aconteceu comigo, aconteça novamente, mas com outra pessoa. Você descubra alguém que possa amar com mais intensidade. Uma pessoa mais madura, mais legal, mais divertida, mais pacífica, mais domável, que talvez consiga escrever, traduzir e demonstrar algo que eu não consigo: o amor.

Escrito por Carla Cabral e Silva às 13h51
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Série: "As palavras que fazem falta..."

Quando se está apaixonado.

Não que eu esteja apaixonada. Não que eu também não esteja.
Há quem diga que palavras são apenas palavras, como é o caso da Cássia Eller. Vou ter que concordar com ela. Quando se está apaixonado, muita coisa "diz" mais do que meras palavras. O brilho no olhar. O coração palpitante. O medo. Sensação de ser criança. O perigo. Olhar para si mesmo e não acreditar nas coisas que está fazendo. O sorriso inocente. O toque sutil. O beijo. Desejo de parar o tempo. A cor da camisa escolhida apenas para agradar. A respiração no outro lado da linha. O abraço. Vontade de estar perto. O ciúme. Querer
acompanhar os passos. A necessidade de querer traduzir todos esses sentimentos em palavras, sendo
que eles "falam" por si só...

Escrito por Carla Cabral e Silva às 08h25
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Mil pedaços

Eu iria continuar a série "As palavras que fazem falta..." mas descobri que palavras são apenas palavras quando não há ação. Portanto, resolvi mudar o tema. Vou contar um caso que deixou-me impressionada essa semana. Seu nome é Diego, 17 anos, aparelhos nos dentes e cara de moleque. Aparentemente um garoto normal de classe média. Seria isso se não fosse o vício pelo computador e o desejo de ser um hacker. Você pode me dizer agora "É comum garotos nessa idade que sejam viciados em computador e queiram ser hackers". Seria comum se não tivesse um pai que o repreende e diz todos os dias que não serve para nada. Aí viria novamente a indagação "Qual é a novidade? Isso é normal". Seria normal se não quisesse morrer, porque acredita que a morte representa sua liberdade. E deseja isso quando acorda, durante o dia e quando vai dormir. O tempo todo. Se não tivesse cortado seus pulsos com 16 anos. Se não achasse que amor não existe, que nunca irá sentí-lo. Aí você me diz "Carla, existem várias pessoas que pensam assim..." Todas essas situações seriam normais se não acontecessem com uma pessoa só, de uma só vez. Diego, 17 anos, na frente do computador se considera uma lenda. Quando aperta o botão para desligá-lo é apenas o Diego, rejeitado há 17 anos. Queria fazer faculdade em outra cidade. Queria casar com a menina que amava. Hoje, não tem sonhos, nem objetivos, nem ideais. Apenas quer que toque em seu enterro a música "Mil pedaços" do Legião Urbana. Porque hoje está em mil pedaços. E não sabe mais qual deles é.

Escrito por Carla Cabral e Silva às 00h23
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Série: "As palavras que fazem falta.."

Em um casamento. Nunca fui casada, nem pretendo tão cedo. A não ser que apareça um noivinho fiel. Que mande e-mails de madrugada, mensagens no celular, talvez flores. Apareça nos lugares mais inusitados e te chame de gatinha. Pode ter aparelho nos dentes e se achar apenas engraçado. Que faça promessa de não te abandonar. Permaneça nos teus pensamentos boa parte do tempo, mesmo sem saber. Mas essa é outra história... Imagino que as palavras que fazem falta em um casamento sejam justamente aquelas abundantes no namoro: Vou te buscar hoje. Está se sentido só? Estou aqui. Você escolhe. Não quero te machucar. Prefere sabor de chocolate ou morango? Deixa que eu te ligo. Que surpresa boa! Concordo com você. Está com ciúmes? Também gosto de Legião Urbana. Acho que estou apaixonado. Essa calça ficou ótima com essa blusa. Olha a nossa música! Compreendo... Hoje faz seis meses. Queria muito que viesse. Nem vi o tempo passar. Me beija? Tomara que você consiga. Quer conversar sobre isso? Deixa que eu pago. Para onde vamos no feriado? Eu quero que seja menina. A comida está ótima. Não te abandonarei. Adoro seu jeito de sorrir. Eu te amo. Eu também...

Escrito por Carla Cabral e Silva às 01h35
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Você sabe o que é nada?

Então vou lhe dizer...

Nada é o horário do meu almoço! Nada é alguém não lhe responder uma mensagem no celular. Nada é vazio. É o que lhe vem a cabeça quando tem que começar a fazer um trabalho. Acordar de manhã e perceber que faltam apenas alguns minutos para perder o ônibus. Ficar domingo olhando para o teto do seu quarto. Mais nada ainda é você achar que existe algo interessante no teto. Ter amigos e não poder contar com eles quando você mais precisa. Ver lua cheia e lembrar de tudo que tem para fazer no dia seguinte. Levantar com fome no meio da noite e não ter nada de bom pra comer. Nada é solidão, coração apertado. Vontade de chorar por algo que você não sabe. É ficar com alguém por ficar. Ouvir música sem prestar atenção na letra. O telefone tocar e ser engano. Estudar para prova e tirar nota baixa. Não ter com quem compartilhar momentos de alegria, ninguém para puxar sua orelha. Nada é beijar na boca sem sentir frio na barriga.

Nada é nada. E isso é tudo...



Escrito por Carla Cabral e Silva às 13h28
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Eu já falei pra Ana diversas vezes "nesse semestre não vamos fazer a mesma coisa, nada de faltar nas aulas, deixar trabalhos para cima da hora, enrolar os professores...", mas parece uma coisa mais forte. Sabe aquela voz interior dizendo "depois você dá um jeitinho?" Vai dizer que isso nunca aconteceu com você? Vou contar só um dos casos vividos pela dupla pop (como diriam alguns amigos de sala):

Sábado - dia 27/3 - aula do Gastão. Até que cheguei cedo na aula. O professor olhou para mim e disse taxativo "Carla, imprime o trabalho". Juro que desta vez foi na maior da inocência. Pensei que poderia terminar o trabalho na sala de aula. Eu olhei para Ana, que olhou para mim, com cara de "tô perdida". Sentei em frente ao computador. Digitei minha senha. E o professor do lado fazendo pressão. E a Ana sem saber o que fazer... O trabalho era diagramar duas páginas de um informativo direcionado a um público específico. Tínhamos escolhido Cinema. Minha mente ia a mil por hora "Não posso dizer que não terminei o trabalho, mas o que vou dizer?". Ele percebeu que eu estava nervosa e saiu do lado, acho que foi lá fora pegar um ar. Detalhe: só faltava imprimir o nosso trabalho para começar a aula... Combinamos então que eu sairia da aula e terminaria o trabalho no famoso CPD. "Ana, se ele perguntar, diz que fui ver com o Eliel se o encontro na rede". Tudo combinado, eu saí da sala. Encontrei com o Gastão na porta. Nem olhei na cara... iria me cobrar o arquivo impresso.

Depois de 30 minutos desci para imprimir o trabalho na Reprografia. A menina que atende disse que iria demorar um pouco, pois tinha uns arquivos do professor na fila. Ah... os arquivos foram a minha salvação! Finalmente, depois de ter o trabalho na mão fui para a sala. Não sem antes levar os arquivos do Gastão que as meninas estavam imprimindo...

Entrei no laboratório e já tinha um círculo formado para debater os trabalhos. É claro que o nosso ficou de fora! Mas tudo bem... abri um sorriso amarelo (amarelo, entenda-se como sem graça) e entreguei suas cópias. Ele retribuiu o sorriso agradecendo meu gesto prestativo! Sentei ao lado da Ana, que começou a rir e comentou "ele achou que você tinha saído da sala porque ficou brava com ele..." Gostei da idéia! De culpada na história, passei a ser vítima... Do meu professor!

E o trabalho ficou show!!!



Escrito por Carla Cabral e Silva às 22h31
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Pra inaugurar meu blog, nada como um música especial...

É Você - Tribalistas

É você
Só você
Que na vida vai comigo agora
Nós dois na floresta e no salão
Nada mais
Deita no meu peito e me devora
Na vida só resta seguir
Um ritmo, um pacto, um gesto rio afora

É você
Só você
Que invadiu o centro do espelho
Nós dois na biblioteca e no salão
Ninguém mais
Deita no meu leito e se demora
Na vida só resta seguir
Um ritmo, um pacto, um gesto rio afora




Escrito por Carla Cabral e Silva às 13h15
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